A decisão do STF de colocar a responsabilidade da extradição do terrorista/assassino/ideólogo Cesare Batitsti nas costas de decisão governamental, à primeira vista pode parecer oportunista e política. Porém, considerando que o asilo dado a nosso simpático político/assassino/fugitivo/romântico foi deliberação única e exclusiva governamental, retornar a essa esfera o destino do cidadão italiano criminoso não deixa de ter sua lógica. Ocorre que o caso, na altura em que se encontra e com a repercussão internacional alcançada, independentemente da decisão que for tomada, virou uma pedra das mais incômodas no sapato da cúpula dirigente nacional.
Consideremos a possibilidade de nosso presidente-em-chefe sustentar a permanência do coitado do assassino (quádruplo) em nossa terrinha. É claro que será uma atitude na contramão do mundo, daquelas que nos livros de história ficam marcadas como estopim de grandes crises internacionais. Evidentemente, nos dias de hoje, tais fatos ficam diluídos na infindável quantidade de acontecimentos de repercussão mundial a que temos acesso, perdendo em grandiosidade intrínseca apesar da repercussão de que seremos alvo. No mínimo perderemos muitos bilhões de euros e dólares, já que certamente enfrentaremos barreiras ainda maiores ao colocar nossos produtos no mercado europeu. Em contrapartida, com a perda de divisas a que estaremos sujeitos, uma vez que certamente alguma movimentação européia ocorrerá no mínimo para não deixar de graça o surto “chavista” do nosso governo, o mesmo virá recorrer a fontes de renda internas para compensar o prejuízo. E como nos últimos anos (pouco mais de 500) essas fontes são apenas os impostos, a conseqüência natural será a conta direcionar-se para a classe média, claro. Como nos últimos anos. Sem falar que os argumentos de todo o mundo, ocidental e oriental, estarão corretos.
No âmbito interno o desconforto se repete. Vejam só, sras e srs, a lógica do nosso comando planaltino: se o argumento que o governo usa para abrigar o injustiçado assassino/flor de pessoa/humanista é o de que o mesmo fazia parte de uma determinada movimentação política de determinada fase mundial, temos um choque frontal contra as bem fundamentadas (e caras) campanhas feitas pelas “santas” ONGS e demais defensores de direitos humanos e etc com relação aos direitos dos familiares de desaparecidos durante nossos “anos de chumbo”, uma vez que os acontecimentos justamente reclamados na mídia também fizeram parte de uma determinada movimentação política de determinada fase mundial, o que coloca a impessoalidade dos conceitos de justiça em cheque.
Por outro lado, extraditar o herói/assassino/gentil condenado provocará com certeza no mínimo um forte mal-estar dentro dos homens do governo. É certo todas a concessões lulistas em prol da governança e sobrevivência política impediram nosso governante e “the man” (como já disse Barak Obama) de combater os radicais livres de seu governo. Vez ou outra eles se manifestam em uma ou outra atitude que se exterioriza das entranhas do governo, normalmente fazendo um estrago e tanto, hemorragias internas que sempre foram operadas a tempo. Claro que dessa vez também teremos uma sangradinha interna, até porque o italiano não é uma unanimidade na base de governo, nem mesmo no partido do governo. O problema é o tempo. Em ano eleitoral, é um problema perfeitamente dispensável, até porque a solução só se dará em 2010.
Pois bem sras e srs. Está claro que o italiano legal/assassino/coitadinho não tem lugar nem no Brasil nem fora daqui, uma verdadeira mala sem alça internacional. Poderia ser diferente, melhor para ele e para todos. Era só continuar ideologicamente ativo, idealista, a favor de justiça social, etc, porém sem matar os outros. Ou não seria diferente? Um abraço